NOVA EDIÇÃO:

JAQUELINE SILVA
QUANDO A HISTÓRIA VIRA perfumaria

por: SÉRGIO OLIVER

Nesta edição, a Revista Olfato celebra uma história que nasce do afeto, da autenticidade e da força das origens. Conversamos com Jaqueline Silva, criadora de conteúdo que conquistou o público ao transformar sua paixão por perfumes em conhecimento, conexão e inspiração nas redes sociais. Seu amor pela perfumaria começou ainda na juventude, quando trabalhou em uma loja e passou a estudar fragrâncias para compreender cada detalhe desse universo – uma curiosidade que, mais tarde, encontrou espaço na internet. De forma espontânea, seus primeiros vídeos, nos quais compartilhava impressões sinceras sobre perfumes, rapidamente ganharam grande alcance e marcaram o início de uma comunidade fiel ao seu redor. Com o tempo, veio o reconhecimento como especialista e a certeza de que era hora de dar um passo além.

Assim nasceu Xodó, sua primeira fragrância autoral, desenvolvida em parceria com a marca Stella Dustin, em um processo colaborativo e totalmente imerso em sua identidade pessoal. Mais do que um perfume, o Xodó é memória, abraço e pertencimento, uma tradução olfativa das mulheres fortes que inspiraram sua história. Unindo fragrância, música e imagem, Jaqueline construiu um projeto sensorial e emocional, provando que a perfumaria também é narrativa e conexão.

Nesta entrevista, ela revela os bastidores da criação, os desafios do lançamento e os sonhos que ainda deseja transformar em aroma. Prepare-se para conhecer a essência por trás do perfume, e da mulher que o tornou possível.

Sua trajetória nas redes sociais foi construída de forma muito autêntica. Como surgiu a ideia de criar conteúdo sobre perfumaria e qual foi o primeiro vídeo que viralizou e marcou o início da sua carreira como criadora de conteúdo?

O meu amor pela perfumaria vem de muito antes das redes. Quando mais nova, trabalhei em uma perfumaria que vendia perfumes importados. Como esses perfumes eram algo muito novo para mim, já que não tinha condições de ter acesso a eles, precisei estudar bastante para conseguir entendê-los melhor e, assim, vender mais. Foi aí que tudo começou: comecei a me aprofundar e a me apaixonar pelo assunto. Desde então, sempre gostei de ter mais de um perfume.

Somente mais de seis anos depois trouxe essa paixão para a internet. Já consumidora de conteúdo nas redes, decidi postar um vídeo sobre um body splash de O Boticário que, na época, estava viral (Jasmin Sambac). Publiquei o vídeo no TikTok e, de imediato, ele viralizou. Foi um vídeo bem natural, abrindo o produto, sentindo o aroma e compartilhando minhas primeiras impressões. Depois dele vieram vários outros, e em menos de um ano meu perfil já havia conquistado mais de 100 mil seguidores apenas com conteúdo de perfumaria.

Ao longo desse caminho, você conquistou um público muito fiel. Em que momento da sua carreira você sentiu que estava pronta para lançar o seu primeiro perfume, o Xodó?

Eu me lembro de um momento muito específico: foi quando recebi um briefing de uma marca muito grande e, no material, estava escrito meu nome acompanhado da palavra ESPECIALISTA. Ali comecei a compreender, de fato, o meu potencial e passei a ter mais segurança e clareza sobre quem eu havia me tornado. Por mais que possa parecer bobagem, isso me trouxe exatamente a confiança que eu precisava.

Como surgiu a parceria com a marca Stella Dustin para a criação do Xodó e o que tornou essa collab especial para você?

Uma amiga me apresentou ao dono da marca e, logo em seguida, fui até o Paraguai, onde eles têm loja, para conhecer mais de perto tanto o dono quanto os produtos. Na nossa primeira conversa já surgiu a possibilidade de uma collab, mas preferi trabalhar como influenciadora deles primeiro, tanto para conseguir conhecer melhor a marca quanto para que eles conhecessem meu trabalho mais de perto. Apenas um ano depois começamos, de fato, o projeto Xodó.

O nome Xodó carrega um significado afetivo muito forte. Como foi a escolha desse nome e qual a mensagem que você deseja transmitir com ele?

Primeiro, porque esse nome é muito forte aqui no Nordeste e sempre remete a carinho: chega a ser gostoso de pronunciar. Em terceiro lugar, porque já fez parte da minha família de uma forma especial: tivemos um restaurante com esse nome, que marcou o início de muitas coisas boas na vida da minha família. Hoje o restaurante não existe mais, mas o nome, com certeza, se tornou marcante. Foi nele que aprendi muito sobre crescimento profissional e também familiar.

Quais sentimentos, memórias ou experiências pessoais serviram de inspiração para a criação da fragrância Xodó?

Eu sempre fui rodeada por mulheres muito fortes, que nunca fugiram da luta: minha mãe e minha avó, que me criou durante boa parte da infância. Sempre enxerguei nelas essa força, mas, ao mesmo tempo, também via delicadeza, alegria e muito carinho. O Xodó eu queria que fosse como elas: força e beleza juntas, transmitindo a sensação de um abraço aconchegante e cheio de alegria.

Você participou ativamente do desenvolvimento olfativo do perfume. Como foi o processo de construção da fragrância e a escolha das notas que definem o Xodó?

Participei de todo o processo, desde a fragrância até a identidade visual, que, inclusive, foi criada pelo meu marido. Fiz questão de exigir que não faltasse a nota de baunilha, pois sou apaixonada por ela. Também destaquei que queria um perfume agradável, que não incomodasse no calor, já que aqui no Nordeste é bem quente. Passei algumas referências de perfumes que gostava muito e, a partir disso, recebi várias amostras até chegar à escolhida.

Tive a ajuda da Ana Lu, uma grande amiga da perfumaria, e o Xodó, na verdade, nasceu da mistura de duas amostras que eu havia gostado bastante. Como não consegui escolher entre uma e outra, conversei com a Stella sobre a possibilidade de misturá-las. Eles fizeram os testes e acabou dando muito certo, ficando exatamente do jeitinho que eu queria.

O lançamento do Xodó contou com uma música composta especialmente para traduzir a essência do perfume. Como nasceu a ideia de unir fragrância e música nesse projeto?

Meu primeiro trabalho foi com a música. Comecei a cantar profissionalmente aos 16 anos, então a música também faz parte da minha vida. Como boa parte do meu público conhece essa outra história, resolvi trazer a música como ideia de marketing, para gerar comentários do tipo: “Será que ela vai voltar para a música?”. Quando lancei a canção, não revelei que se tratava de uma música criada para um produto, e deu tão certo que ela pegou rapidamente. Assim, quando anunciei o Xodó, a galera já estava amando a música.

Além de idealizar a canção, também fui a intérprete. A experiência de cantar uma composição criada para representar um projeto tão pessoal como o Xodó foi, de fato, trazer uma paixão antiga, a música, para um projeto que não tenho dúvidas de que abrirá muitas portas. Foi como um encontro da menina do passado com a mulher do presente.

Na sua opinião, qual é a importância do storytelling, unindo fragrância, música e imagem, para criar uma conexão emocional verdadeira com o público?

Desde o início, nunca pensei no Xodó apenas como um produto que as pessoas iriam consumir. Eu queria que elas realmente sentissem de forma diferente. Desejo que o Xodó se torne memória: quando fragrância, música e imagem se unem, a experiência deixa de ser apenas sensorial e passa a ser emocional.

No Xodó há essência, verdade e a realização de um grande sonho. Tudo foi cuidadosamente pensado para que as pessoas se sentissem parte dessa história. Nunca busquei apenas reconhecimento; o que eu queria, de fato, era identificação.

De que forma o Xodó reflete a sua identidade hoje, tanto como mulher quanto como criadora de conteúdo no universo da perfumaria?

Como mulher, ele representa segurança, sensibilidade e a liberdade de assumir minha própria essência, minhas origens e meu lugar no mundo. É a certeza de que não importa de onde você veio, seja grande ou pequena. Como diz um trecho do cordel que acompanha a caixa do Xodó: “Origem humilde é força pra quem deseja voar. Com fé, Jaqueline sonha e te convida a sonhar.”

Xodó é um convite genuíno às mulheres que, assim como eu, sempre tiveram pouco, mas nunca limitaram seus sonhos a esse pouco.

Como influenciadora, ele representa todo o meu esforço dedicado à perfumaria ao longo desses anos. Representa a escuta do meu público e o respeito pela história que cada fragrância carrega. Ele nasce da minha vivência e da conexão com quem me acompanha.

Após o lançamento do Xodó, quais foram os principais aprendizados dessa experiência e o que o público pode esperar dos seus próximos passos dentro da perfumaria?

Aprendi que a autenticidade é o ativo mais valioso de um projeto. Aprendi sobre paciência, cuidado com os detalhes, compreendi melhor os processos, o tempo e, principalmente, a importância de respeitar cada etapa da criação.

Quanto aos próximos passos, tenho muitos sonhos, inclusive um “irmão” para o Xodó. (risos). Mas tenho certeza de que, em nenhum deles, vai faltar a essência e o comprometimento que fiz questão de colocar no Xodó. Essa mesma essência estará presente em todos os projetos que vierem. Se carregar meu nome, precisa carregar quem eu sou.

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Fotos: Alex Savior
Publisher e Diretor Criativo: Sérgio Oliver
Supervisão de texto: André Terto
Arte gráfica e diagramação: Danni Chris