NOVA EDIÇÃO:
FELIPE ALVES
A ARTE DA ATRAÇÃO CONSCIENTE
por: SÉRGIO OLIVER
A trajetória de Felipe Alves nasce menos de um plano de carreira e mais de uma inquietação interna: compreender pessoas, sentimentos e conexões reais.
Movido pelo autoconhecimento, ele transformou observação em linguagem, presença em conteúdo e experiência em propósito. Do contato direto com o público, aprendeu que a verdadeira atração não está na performance, mas na autenticidade.
Com o tempo, sua voz deixou de ser apenas influência para se tornar responsabilidade. Cada palavra passou a impactar decisões, autoestima e histórias de vida.
É dessa consciência que surge a OR, uma marca que traduz emoção em sensorialidade. Mais do que perfumes, a proposta é criar presença, memória e conexão. Inspirada no que é raro e valioso como o ouro, a OR carrega excelência, intenção e verdade. Suas fragrâncias não prometem fórmulas mágicas, mas convidam ao encontro com quem se é de fato.
Entre ciência, sensibilidade e estética, Felipe constrói uma cultura de atração consciente. Um movimento que desacelera o superficial e valoriza o essencial. Porque, para ele, marcar alguém começa sendo inteiro em si mesmo.
Sua trajetória começa muito mais por inquietações internas do que por um plano de carreira. Como esse processo de autoconhecimento influenciou tudo o que veio depois?
Eu nunca comecei pensando só em carreira; comecei tentando me entender. Sempre tive muitas perguntas sobre relações, atração, rejeição, presença: coisas que todo mundo sente, mas pouca gente para investigar de verdade. Além da curiosidade, eu também tinha muita facilidade nessas trocas. Poucos sabem, mas um dos meus primeiros empregos foi como vendedor em uma loja de shopping. Então, desenvolver essas habilidades era quase sobrevivência. Peguei algo em que eu realmente era bom e decidi explorar até o fim, de forma obcecada e esse é o segredo. No fim, o autoconhecimento virou uma espécie de bússola. Tudo o que veio depois, como o conteúdo, a comunidade e agora a OR, nasce desse mesmo lugar: observar, sentir, questionar e só então criar. Eu não construo nada que não faça sentido primeiro dentro de mim. Sou muito autêntico, e isso é fruto desse processo de conhecimento, que exige muita coragem.
O contato direto com pessoas foi essencial no início do seu trabalho. O que essas experiências lhe ensinaram sobre comportamento humano que você carrega até hoje?
Conversar com as pessoas na rua me ensinou que, no fundo, todo mundo quer a mesma coisa: ser visto, desejado e aceito como é. A gente muda a roupa, o discurso, o perfume, mas o desejo é o mesmo. Também aprendi que atração não é pura performance, é presença e estratégia, uma arte que pode ser aprendida. Esse contato me mostrou que essa habilidade é para todos, até para os mais tímidos. E o principal: as pessoas se conectam muito mais com quem está inteiro ali do que com quem tenta impressionar. Isso carrego até hoje, tanto na vida quanto na marca.
Em que momento você sentiu que sua atuação deixou de ser apenas conteúdo e passou a se tornar uma responsabilidade maior com quem o acompanha?
Foi quando percebi que as pessoas tomavam decisões reais a partir do que eu falava: relacionamentos, autoestima, escolhas pessoais. A partir daí, entendi que não dava mais para falar qualquer coisa só para engajar. Percebi que me tornei referência e autoridade. Existe uma responsabilidade emocional quando você fala de atração, amor e vulnerabilidade. A OR nasce exatamente desse entendimento: não é sobre prometer fórmulas mágicas, mas oferecer ferramentas conscientes. O que eu digo, muitas vezes, tem o mesmo peso que a opinião de um pai ou de um irmão mais velho, e sinto que isso está muito ligado ao meu propósito. Hoje, com tanta gente falando coisas superficiais na internet, sinto o dever de ajudar as pessoas a encontrarem mais sentido na vida.
A OR nasce a partir de uma filosofia muito específica sobre atração. Como você transformou um conceito subjetivo em uma marca concreta?
Atração sempre foi tratada como algo místico ou superficial. Nós seguimos o caminho oposto: entender o que existe de sensorial, biológico e emocional por trás disso. Estudamos a fundo a psicologia da atração e descobrimos que o olfato é um dos sentidos mais ligados à memória, emoção e conexão. Transformar esse conceito em marca foi desafiador: tivemos que traduzir sentimentos em notas olfativas, presença em aroma. A OR não vende perfume; vende uma ferramenta para atrair a pessoa certa, para criar presença e conexão verdadeira. Gosto muito de uma frase: “A atração não é uma escolha”. Isso significa que a atração é difícil de explicar; a gente sente, mas não entende totalmente, não consegue colocar em palavras. E não é por isso que não exista ciência por trás. Na verdade, a atração está muito ligada ao primitivo, e atraímos aquilo que é verdadeiro em nós mesmos. Claro que carisma, boa comunicação e energia alta ajudam, mas o segredo é estar presente. A OR busca facilitar isso.
O nome OR desperta curiosidade. O que ele significa e por que foi a escolha certa para representar a essência da marca?
OR vem de oro, ouro em francês. A ideia surgiu em uma viagem para a Suíça. No fim, escolhi esse nome por conta dos valores que quero passar com a marca. O ouro simboliza aquilo que é raro, valioso e atemporal. Assim como a atração verdadeira, que não é barulhenta nem descartável, mas construída com presença e significado. A OR nasce com um compromisso muito claro com a excelência. Demoramos mais de um ano criando e testando nosso produto e nos comprometemos não com quantidade, mas com intenção, qualidade e profundidade. Tanto que os primeiros lotes de lançamento foram extremamente exclusivos. Desde o início, buscamos criar o melhor perfume para atração do Brasil. Fomos atrás das melhores matérias-primas, da melhor embalagem, e estamos preocupados com a experiência do consumidor de ponta a ponta. Logo, a marca carrega essa ideia de valor, qualidade e excelência.
Quais valores você considera inegociáveis dentro da OR e como eles se refletem na criação dos perfumes e na comunicação da marca?
Presença, verdade e intenção. A OR não promete que você vai conquistar qualquer pessoa, pois isso seria desonesto. Acreditamos em atrair quem faz sentido, em criar relações mais calmas, mais reais e de qualidade. Isso aparece tanto na criação dos perfumes, pensados para despertar sensações específicas, quanto na comunicação, que foge de exageros e fórmulas prontas. Não somos um perfume com promessa mágica de feromônio; levamos isso a sério. Eu sou um cara simples, gosto do campo, de ficar com minha família, meus animais, sou fissurado em cães… Logo, meu perfume não poderia ser um perfume de balada. O Notável é um perfume do dia a dia. Eu queria o carisma puro em forma de perfume, queria uma presença real, aquela que marca sem gritar. Somos autênticos e falamos com uma geração, não com um indivíduo isolado.
Como foi o seu envolvimento no desenvolvimento das fragrâncias? Você participou ativamente da escolha dos acordes, matérias-primas e do conceito olfativo?
Estive presente em todas as etapas do processo. Claro que, na parte técnica, contamos com o suporte da indústria, de perfumistas e pesquisadores especializados: isso foi fundamental. Mas eu conduzi a pesquisa de mercado, a direção criativa da marca e participei ativamente dos testes de cada amostra. Eu não sou perfumista, mas sabia com muita clareza o que queria que alguém sentisse ao usar a OR. Estudamos notas com potencial de estimular reações neuroquímicas, como a liberação de dopamina, e construímos as fragrâncias a partir dessa lógica. Tivemos vários desafios: conceber um produto físico é muito diferente de produtos digitais, que foram meu core durante muitos anos. Além de conseguir canalizar quem eu sou na marca, um dos maiores desafios foi não cair no comum, equilibrar todos os aspectos com autenticidade, identidade e sofisticação, sem cair na estética ou na promessa simplista dos perfumes de feromônio tradicionais. A OR não é sobre fórmulas mágicas, não é um perfume de balada; é uma cultura, é sobre presença, autenticidade e atração consciente. É sobre sempre buscar o melhor de si.
Durante o desenvolvimento da OR, qual foi o maior desafio em alinhar propósito, estética e identidade olfativa?
Não cair no óbvio e não abrir mão da qualidade. Quando você fala de atração, existe uma tentação muito grande de ir para o exagero, para o sexualizado ou para o prometido demais. O maior desafio foi criar algo de valor, profundo e coerente com a marca e com meus valores pessoais. Algo que você usasse não para performar, mas para estar mais presente em si mesmo. Eu não comecei no digital ontem; são muitos anos fazendo a mesma coisa e mostrando diversas facetas do meu ser. Unir tudo isso em uma única mensagem para um produto físico foi novidade. Aprendi muito, mas também foi muito satisfatório.
Você fala muito sobre atração consciente. Como os perfumes da OR traduzem essa ideia de forma sensorial para quem os usa?
Através do equilíbrio. As fragrâncias não invadem, elas acompanham. Criam um campo de presença. Atração consciente não é sobre chamar atenção de todo mundo, é sobre ressoar com quem está na mesma frequência. O aroma atua como um convite silencioso para algo a mais. Indo para a parte mais técnica, nas notas de topo do Notável e do Encantadora priorizamos notas que despertam a atenção: elas passam sensação de frescor, energia e até um certo mistério. A ideia é que, assim que chegam ao sistema límbico, o centro emocional do cérebro, despertem curiosidade e atenção. Já as notas de corpo têm o papel de trazer identidade. Queríamos notas que transmitissem caráter, confiança e sensualidade, para gerar de fato uma conexão. Nas notas de fundo, optamos por aromas mais densos e duradouros, a fim de instigar a memória. É como se fosse um caminho: Impacto → Presença → Memória. Primeiro queremos que você seja notado, depois que se mantenha interessante e, por fim, que saia sendo lembrado.
Olhando para o futuro, que impacto você deseja que a OR tenha na forma como as pessoas se percebem e se relacionam com o mundo?
Eu quero que a OR construa uma geração de apaixonados, de pessoas autênticas e que conheçam a si mesmas. Quero ajudar as pessoas a desacelerar quando se trata de atração. A se sentirem menos sozinhas, mais conectadas, mais seguras de quem são. Num mundo líquido, cheio de distrações e relações descartáveis, a OR quer resgatar a presença, o olhar, a conexão verdadeira. Se a marca conseguir ajudar alguém a viver um amor mais sincero, já terá cumprido seu papel.
Fotos: Igor Vieira
Publisher e Diretor Criativo: Sérgio Oliver
Supervisão de texto: André Terto
Arte gráfica e diagramação: Danni Chris
